"Haverá quem queira dar?", dia 17, em Coimbra

A Coimbra Business School lançou a primeira pós-graduação nacional dedicada exclusivamente ao Fundraising - Fundraising em Ação. É no âmbito desta que no próximo dia 17 se irá debater se “Haverá um mundo que quer dar?”. Falámos com Madalena Abreu da organização para ficarmos a saber tudo sobre este debate fundamental.

 

Impulso Positivo (IP): O debate do próximo dia 17 surge no âmbito da Pós-Graduação Fundraising em Ação. Como e de que necessidades é que esta surgiu?

Madalena Abreu (MA): Esta é, de facto, a primeira pós-graduação de fundraising em Portugal, em módulos e com os melhores profissionais de fundraising nacionais. Queremos dotar os gestores e técnicos das organizações da economia social de conhecimentos acerca do fundraising, permitindo, assim, que estas organizações sejam sustentáveis no longo prazo. Queremos criar fundraisers.

 

IP: Porquê esta vontade?

 MA: Sabemos todos que um dos maiores desafios que enfrentam estas organizações é o seu financiamento e sustentabilidade, e o financiamento do estado não é suficiente. Muito pelo contrário, do conhecimento que temos sobre este setor, e pelo que vamos ouvindo, sabemos que este financiamento do Estado poderá representar 30 a 35% do orçamento total destas instituições. E mais de 50% do seu orçamento vem de atividade próprias como as quotas ou a prestação de serviços. Sabemos ainda que, crescentemente, as organizações se estão a voltar para a angariação de fundos junto dos particulares, procurando cada vez mais profissionais que saibam cuidar desta área. Ora, e da nossa experiência de anos nesta área, sabemos que na região centro não há oferta deste tipo de formação. É uma necessidade que é preciso colmatar.

 

IP: Que retrato se pode fazer do Fundraising na zona Centro do País nos últimos anos?

MA: Do conhecimento do terreno, e como se passa em muitas outras regiões do país, podemos dizer que o Fundraising vai acontecendo… mesmo que os atores em cena não lhe deem esse nome. O problema é que acontece de forma pouco estruturada e sistemática o que faz com que os resultados sejam insatisfatórios. Esta situação leva, muitas das vezes, à frustração dos profissionais das organizações que vão organizando atividades de angariação de fundos. Esta situação, associada à ideia de que “não há tempo”, suscita a ideia de que o Fundraising pode não resultar.

 

IP: Há muita coisa que ainda falta fazer, tanto na zona Centro como no resto do País?

MA: Claro que sim. Começando, nomeadamente, pela formação e capacitação das pessoas que trabalham nestas organizações. Falta criar o encontro entre os agentes destas questões da angariação de fundos com o objetivo de partilhar experiências e práticas, mostrar conhecimentos técnicos, e potenciar a capacitação de competências pessoais e do trabalho em rede. Precisamos criar espaços que inspiram, motivam, e promovem em rede os conhecimentos certos às necessidades reais da economia social.

 

IP: Porque é tão importante este debate?

MA: Este debate trata de uma questão essencial: haverá quem queira dar. O debate pretende apresentar casos reais, e próximos de nós, onde se torna evidente que há muita gente que quer dar, que quer participar em causas específicas, que quer sentir que deu um contributo para um mundo melhor. Vamos mostrar situações reiais e números, e exemplificar às pessoas que o trabalho de fundraising dá resultados… mas é mesmo assim: dá trabalho!

 

IP: Este é o segundo debate que está a ser organizado. Qual tem sido a adesão e o feedback do público?

MA: Este debate apresenta-se após o primeiro debate sob o tema “Financiadores e Instituições: dois mundos distintos”, no passado dia 30 de Janeiro. O Ciclo de Debates trata de temáticas da angariação de fundos, procurando ser espaço de diálogo informal entre diversos atores e interessados pela problemática da economia social com um enfoque muito particular na sustentabilidade destas organizações. A adesão ao primeiro debate, de dia 30 de Janeiro, superou as nossas expectativas, quer em termos de número, quer na diversidade, quer pelo entusiamo que se experimentou na sala. E, no final, várias pessoas mostraram que esperavam a continuação. A diversidade da plateia foi uma surpresa pois apareceram pessoas que queriam fazer angariação de fundos para a cultura, concertos e exposições, para projetos privados ligados a animais, gente ligada a projetos diversos na cidade, ou projetos internacionais.

 

IP: O que esperam deste momento privilegiado de debate com oradores tão experientes?

MA: Esperamos que as expetativas, mais uma vez, se revelem insuficientes para os resultados alcançados no final. Os resultados destes debates, desta interação, vão com certeza deixar-nos a todos espantados sobre o que já se vai fazendo. E com esperança no muito mais que está para vir. Estes oradores experientes são o rosto duma realidade bem mais interessante e entusiasmante do que ouvimos amiúde. O nosso país tem uma longa tradição ‘no dar’. Somos um povo muito generoso.