Trabalhar para “um futuro energético melhor”

O Citizenergy nasceu em 2012 motivado por um objetivo: “promover o financiamento descentralizado e democrático de um futuro energético melhor” . O Impulso Positivo quis conhecer melhor este projeto e falou com Nuno Brito Jorge, coordenador europeu do Citizenergy.

Impulso Positivo (IP): Comecemos pelas apresentações. O que é o Citizenergy?
Nuno Brito Jorge (NBJ): O Citizenergy é uma plataforma online que procura aproximar os cidadãos do investimento em energia sustentável, através de estruturas como o crowdfunding ou as cooperativas de energia verde.

IP: Como nasceu este projeto?
NBJ: Em 2012, eu e dois amigos tivemos algumas ideias para investir em projetos de energia solar em Portugal. Para nos ajudar a financiar os projetos, decidimos criar a primeira plataforma de crowdfunding em Portugal, embora tivéssemos percebido que não havia enquadramento legal para o fazer. Fomos à procura de outras formas de obter financiamento para os nossos projetos de energia renovável e conseguimos motivar algumas plataformas de crowdfunding e cooperativas europeias a criar um projeto conjunto.
Citizenergy nasceu, assim, da motivação para promover o financiamento descentralizado e democrático de um futuro energético melhor, através do apoio a plataformas de crowdfunding e cooperativas de energia renovável.

IP: Em 2012 o Citizenergy era uma ideia e em pouco tempo materializou-se. Em 2016 em que ponto de desenvolvimento está o projeto?
NBJ: Atualmente temos no Citizenergy 13 projetos que representam mais de 8 milhões de euros de investimento.
Neste momento, a maior ambição que temos é a partilha de informação para que mais cidadãos se envolvam e vejam estas finanças alternativas como aplicações úteis para as suas poupanças, valorizando-as ao promover o desenvolvimento limpo.
O desafio é a criação de um modelo de exploração sustentável que assegura a existência da plataforma após a conclusão da fase que conta com financiamento Europeu.

IP: Qual o balanço que faz do trabalho desenvolvido pelo Citizenergy nestes quatro anos de atividade?
NBJ: Desde que pensámos em criar o Citizenergy, até agora que estamos numa fase em que já temos alguma maturidade, temos visto o setor a crescer. Os projetos de crowdfunding representaram na Europa, em 2014, 3 mil milhões de euros.
Ao longo deste quatro anos de atividade, conseguimos envolver 13 parceiros de 10 países diferente, com alguns tão relevantes como o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas.
Este projeto permite às plataformas que se inscrevem chegar a mais cidadãos, sobretudo fora do seu país de origem. Permite aos promotores dos projetos terem acesso a novas formas de financiamento dos seus projetos e podem fazê-lo com maior rapidez. E permite aos cidadãos que passem a ter um ponto de partida para a experiência de se tornarem pequenos investidores sustentáveis. Em breve, os cidadãos poderão também partilhar experiências e, desta forma, aconselhar outros cidadãos.

IP: Quais as perspetivas futuras?
NBJ: O nosso objetivo principal é atingir as 15 plataformas antes do final do ano, e totalizar 50 projetos de investimento online até Março de 2017.
Temos também o objetivo de ajudar a alargar o crowdfunding para a energia limpa / energia sustentável para países onde ainda está menos presente, como por exemplo os países do leste da Europa ou países em vias de desenvolvimento.

IP: Hoje a sociedade está mais familiarizada com a ideia do que é o crowdfunding. É reconhecido como mais uma, e uma nova forma de ajudar os outros. A fechar a nossa entrevista gostaríamos de saber a sua opinião sobre a importância do crowdfunding no contexto económico nacional.
NBJ: O crowdfunding é uma tendência, fortemente impulsionada pelos cidadãos, que cada vez assume maior importância no nosso país. Esta tipologia de investimento distingue-se do tradicional por ter associado um impacto social ou ambiental que quem investe quer ajudar a fazer acontecer.
O Citizenergy é um dos exemplos desta “revolução cidadã” que está em curso, mas quase todos os dias ouvimos falar novos modelos e iniciativas dos cidadãos: novos partidos políticos, novos movimentos, iniciativas de banca ética ou plataformas de investimento.
Embora o crowdfunding em Portugal ainda seja muito pouco representativo, acreditamos que com o novo enquadramento legal e com as crescentes necessidades sentidas pelos cidadãos pode ganhar maior impacto rapidamente.
Já no dia 21 Setembro, apadrinhado pelo Citizenergy, vamos lançar oficialmente uma nova plataforma – Parity, www.goparity.com – com base em Portugal, que utilizará o crowdfunding, para permitir o investimento e financiamento de projetos de energias renováveis e eficiência energética em PME portuguesas.

Conheça mais sobre o Citizenergy em https://citizenergy.eu/