Opinião: Mais vale prevenir do que remediar!

Seis anos após o maremoto que em 2004 assolou o Sudeste Asiático, deparamo-nos com outra grande catástrofe natural na Ásia, agora no Japão. Existem alguns pontos que unem estas situações, mas são muito mais os que as separam. E são estes pontos que devemos explorar.

Estas situações, que abriram os jornais televisivos de todo o mundo, são exemplos de catástrofes naturais que abalaram fortemente as infra-estruturas dos países, tornando necessária a actuação de organizações externas, nomeadamente ao nível da ajuda humanitária de emergência.

Tendo, por definição, o objectivo de aliviar os efeitos imediatos de catástrofes naturais (como tsunamis, terramotos, cheias, entre outras) e humanas (resultantes de guerras ou conflitos violentos), a ajuda humanitária de emergência tem um papel determinante na recuperação dos países afectados por este tipo de catástrofes. No entanto, o esforço deste tipo de ajuda é facilitado quando o país em causa é desenvolvido e está dotado de estruturas mais avançadas, em particular ao nível do alerta precoce, as quais lhe permitem não só prever e antecipar situações críticas, como também reduzir as consequências (humanas e materiais) destes desastres naturais.

Ambas as situações tiveram consequências desastrosas para os países atingidos, que sofreram um maremoto com uma intensidade muito próxima (8.9 na Escala de Richter). No entanto, verificamos que, ao contrário do que aconteceu nos países do Sudeste Asiático, o Japão conseguiu limitar os estragos e prejuízos, embora os dados finais estejam ainda por apurar.

Apesar de terem sido enormes, os estragos no Japão (2.414 mortos e 3.118 desaparecidos. Estes números podem ser muito maiores pois muitos mortos e desaparecidos não estão incluídos nas listas oficiais da Polícia - dados da Agência Lusa no dia 15 de Março) foram inferiores aos registados, por exemplo, na ilha de Sumatra, na Indonésia, uma das principais afectadas pelo tsunami de 2004, que vitimou aproximadamente 121 mil pessoas (o total de mortos nesta catástrofe ronda os 280 mil, distribuídos por 12 países de África e da Ásia).

Ou seja, um país pobre, em desenvolvimento ou em situação de fragilidade, como é o caso de vários dos países do Sudeste Asiático, irá sofrer muito mais com as catástrofes naturais, uma vez que não têm estruturas físicas nem humanas que lhe permitam reagir eficaz e atempadamente a uma situação destas. Um país onde as pessoas tentam fugir à pobreza dificilmente terá condições para ultrapassar circunstâncias como estas com o mínimo de prejuízos possível.

Neste sentido, a Plataforma Portuguesa das ONGD quer deixar uma mensagem de força para todas as pessoas que estão a sofrer directa ou indirectamente com a catástrofe no Japão, e lembrar que devemos apostar acima de tudo em melhorar as condições de todos os países, principalmente dos países em desenvolvimento, para que quando estes sofrerem catástrofes como estas consigam sobreviver com o mínimo de consequências negativas possíveis.

O Japão é, de facto, um dos países do mundo que melhor preparado está para prever e fazer frente a desastres naturais como o do passado dia 11 de Março. Imaginem, agora, as consequências deste maremoto se tivesse atingido países como o Nepal, Bangladesh ou São Tomé e Príncipe, países em desenvolvimento com um rendimento per capita reduzido, elevadas taxas de pobreza e de analfabetismo, entre outras.

Em síntese, importa ajudar os países mais pobres nos seus esforços pelo desenvolvimento, porque “Mais vale prevenir do que remediar”!

Secretariado da Plataforma Portuguesa das ONGD