Opinião: Um dia vou ajudar a mudar o Mundo... Hoje é o dia!

Podia estar aqui a escrever um testamento sobre cooperação e desenvolvimento, sobre o trabalho das ONGD (Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento), sobre a necessidade de todos ajudarmos, mas o leitor iria pensar: “Ok. Mas isso será assim tão importante? Vou estar a ajudar quando estamos em crise, quando temos um país com tantos problemas?”

No entanto, digo apenas que:

O número de pessoas que vive abaixo da linha de pobreza de 1,25 dólar por dia era de 1.400 milhões em 2005 (em 1990 era de 1.800 milhões.
Cerca de 69 milhões de crianças em idade escolar não estão na escola. Quase metade delas (31 milhões) vivem na África Subsariana, e mais de um quarto (18 milhões) são do sul da Ásia.
Por ano, continuam a morrer quase nove milhões de crianças nos primeiros cinco anos de vida. As taxas de mortalidade infantil mais elevadas continuam a registar-se na África Subsariana, onde, em 2008, uma em cada sete crianças morreu antes de completar 5 anos.
Mais de 350.000 mulheres morrem anualmente devido a complicações durante a gravidez ou o parto, quase todos estes casos - 99 por cento – ocorrem em países em desenvolvimento.
Todos os dias, mais de 7.400 pessoas são infectadas com o VIH e 5.500 morrem de doenças relacionadas com a Sida.
884 milhões de pessoas no mundo ainda não têm acesso à água potável e 2,6 bilhões de pessoas carecem de acesso a serviços de saneamento básico.

Agora que possivelmente captei a sua atenção, permita-me que afirme que temos de fazer algo. Mas como?

Como referiu Barack Obama na Cimeira da ONU sobre ODM: "nós medimos durante demasiado tempo os nossos esforços pelos dólares que gastamos na comida e nos medicamentos que damos. A ajuda só por si é dependência, não é desenvolvimento”. Devemos então seguir o conselho popular: não devemos dar o peixe, mas sim ensinar a pescar.

No entanto, para ensinar a pescar são necessários recursos: humanos, materiais e financeiros.

Todos os pequenos gestos são importantes. Somos a primeira geração com condições, recursos e capacidade para acabar com as desigualdades e conseguir criar um mundo mais justo e equitativo.

E como dizem uns pacotes de açúcar “Hoje é o dia”.

César Neto

Director de Comunicação da Plataforma Portuguesa das ONGD

A Plataforma Portuguesa das Organizações Não-Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD) é uma associação privada sem fins lucrativos que representa um grupo de 69 ONGD registadas no Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Ao representar e apoiar as ONGD portuguesas a nível nacional e internacional, a Plataforma Portuguesa das ONGD pretende contribuir para a qualificação da intervenção da sociedade civil nos domínios da Cooperação para o Desenvolvimento, da Ajuda Humanitária e de Emergência e da Educação para o Desenvolvimento e Formação. Ao potenciar também as capacidades das ONGD enquanto organizações empenhadas na afirmação da solidariedade entre os povos contribuindo assim para a criação de um mundo mais justo e equitativo.