Sociedade | Distanciamento social sim. Solidão não!

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Distanciamento social sim. Solidão não!

10/05/2020 | Fernanda Cerqueira

Distantes, mas juntos. Sem espaço para a solidão. FOTO UNSPLASH Distantes, mas juntos. Sem espaço para a solidão. FOTO UNSPLASH

Todos sabemos que continuaremos a conviver com a pandemia por largos meses, pelo menos até estar disponível uma vacina, e por isso precisamos de encontrar formas alternativas de estar presentes. Precisamos de continuar a ser filhos, pais, avós e amigos. Distantes, mas juntos. Sem espaço para a solidão.

Tirar o melhor proveito da tecnologia

A tecnologia proporciona-nos hoje enormes oportunidades. Não vai trazer aqueles abraços que estão pendentes, mas vai ajudar a acalmar corações. Uma simples chamada por telefone, ouvir a voz da outra pessoa, partilhar cinco minutos de conversa pode trazer um enorme conforto. E se as maiores saudades são de ver o sorriso do seu filho ou da sua mãe use o Messenger do Facebook para fazer uma videochamada. Ou as aplicações de videochamadas e chamadas em grupo Zoom ou Skype.

Ser um bom vizinho

Situações difíceis são os melhores momentos para revelarmos o melhor de nós. Talvez seja possível, com algum esforço e muita vontade, da próxima vez que for às compras fazer as compras para os seus pais ou avós. Ou para aquele familiar que devido a um problema respiratório ou uma doença anterior integra um grupo de risco. Vai poupar-lhe uma ida ao supermercado e o possível contacto com outras pessoas. Estará a protegê-lo e sem usar nenhuma palavra a dizer o quanto gosta dele.

O mesmo se aplica aquele vizinho que tantas vezes foi buscar a neta à escola e trouxe também o seu filho, naqueles dias em que o trabalho se prolongou muito para lá da hora de saída. 

Construir um "novo normal"

Estamos todos a reinventar-nos para responder a esta nova realidade. Exemplo disso é o lar da União Mutualista Nossa Senhora da Conceição, uma instituição particular de solidariedade social (IPSS), do Montijo, que estreou no dia 3 de maio, dia da mãe, a “box das emoções”. Podemos chamar-lhe uma cabine de comunicação. Separados por um vidro, de um lado ficam os utentes do lar, em completa segurança, e do outro os familiares. Se é o ideal? Não. Sabemos que não. Mas é melhor do que uma videochamada. É um pouco mais. E neste momento um pouco mais pode ser muito.

 

Recomendamos a leitura do artigo "Gente feliz com lágrimas: lar do Montijo estreia box para encontros de famílias em Dia da Mãe", do jornal Público.