Sociedade | Santa Casa já investiu 2,5 milhões de euros em projetos de investigação científica

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Santa Casa já investiu 2,5 milhões de euros em projetos de investigação científica

09/01/2019 | Rita Chaves, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

Prémios Neurociências SCML Prémios Neurociências SCML

Estamos a falar de condições progressivas e incuráveis que originam, sobretudo, complicações ao nível motor ou mental. São exemplos de doenças neurodegenerativas Alzheimer, Parkinson, Huntington e a esclerose lateral amiotrófica.

Com o tendencial aumento da esperança média de vida e a natural inversão da pirâmide etária nos países desenvolvidos, o acompanhamento destas condições crónicas poderá ter algumas lacunas em termos de capacidade e qualidade de respostas aos doentes.

Muitas destas condições são acompanhadas diariamente pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), ao abrigo dos cuidados prestados nas suas várias respostas sociais e de saúde.

Como atuar na prevenção através de hábitos de vida saudáveis, e como atuar após o diagnóstico, garantindo e construindo respostas mais capacitadas por forma a atenuar a progressão da doença e a melhorar a qualidade dos serviços prestados, quer pela melhor capacitação de profissionais, quer pelo apoio das novas tecnologias, são questões diárias e reais.

A SCML procura diariamente respostas de excelência para estas questões, através da prevenção e sensibilização, assim como através da intervenção experimental tecnológica, estabelecida através de parcerias académicas ou projetos europeus, com o objetivo de que estas se traduzam num impacto positivo na qualidade de vida das pessoas.

No caso das doenças neurodegenerativas, esse impacto vai até onde os limites da ciência nos deixa caminhar.

 

Prémios desde 2013

Em 2013, assumimos a nossa intervenção também nesse domínio, através de um programa criado para a promoção de investigação científica: os Prémios SANTA CASA Neurociências. Eles incidem em duas áreas de atuação da SCML – as lesões vertebro-medulares (Prémio Melo e Castro) e as doenças neurodegenerativas associadas ao envelhecimento (Prémio Mantero Belard) – e traduzem-se num financiamento ao melhor projeto de investigação científica nacional nestas duas áreas. Por prémio, são atribuídos, anualmente, 200 mil euros ao projeto que mais possa contribuir com soluções que tragam, ou perspetivem fazê-lo, um aumento da qualidade de vida dos doentes.

Com o apoio científico inestimável da Sociedade Portuguesa de Neurologia e da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação, bem como das universidades de Lisboa, Porto e Coimbra, a Santa Casa contabiliza já 2,4 milhões euros de financiamento atribuído em projetos de investigação científica nas instituições de ciência e investigadores nacionais.

Através deste programa, e na área das doenças neurodegenerativas associadas ao envelhecimento, promoveram-se já vários projetos inovadores. Por exemplo, na doença de Parkinson está a estudar-se os efeitos que as toxinas produzidas por determinados microrganismos presentes nos intestinos exercem sobre a incidência desta doença, quando não existe predisposição genética. Esta descoberta poderá levar ao desenvolvimento de antibióticos dirigidos a estas bactérias, que possam, assim, prevenir o aparecimento e desenvolvimento desta variante da doença (Prémio Mantero Belard 2016 – Sandra Morais Cardoso – Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra).

Em 2015, António Ambrósio venceu o Prémio Mantero Belard (Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra) com uma proposta de estudo também inovadora. Com base em estudos prévios, que correlacionam a afetação da retina com a doença de Alzheimer, o objetivo do projeto foi a descoberta de um processo que pudesse, através da observação da retina e, por isso, utilizando a vantagem de uma técnica não invasiva, permitir uma deteção e diagnóstico precoce da doença, ainda antes da manifestação dos sintomas, possibilitando, assim, uma intervenção atempada que prevenisse ou abrandasse a evolução da doença.

Estes são dois exemplos de projetos inovadores muito próximos do palco clínico e, por esta razão, bastante promissores, no sentido de encontrar soluções mais céleres. No entanto, sabemos que a velocidade da ciência não é, por certo, a que pretendemos. Mas estamos convictos de estar a contribuir de forma muito positiva e a pensar no que mais importa, as pessoas

 

Promoção de estudos pioneiros

O Prémio Mantero Belard pretende promover e dirigir a investigação científica e clínica para estudos pioneiros, incentivando contribuições estratégicas e significativas na compreensão das causas, prevenção, tratamento e cura das doenças neurodegenerativas associadas ao envelhecimento, como as Doenças de Alzheimer e de Parkinson.

O Prémio Melo e Castro visa promover a descoberta de potenciais soluções que permitam a recuperação de limitações motoras e fisiológicas causadas por lesões vertebro-medulares e a melhoria da qualidade de vida das pessoas afetadas por esta condição.