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AMADORA COMPASSIVA - CUIDAR ComPAIXÃO

16/03/2020 | Elsa Mourão

AMADORA COMPASSIVA - uma comunidade que cuida com_PAIXÂO - Foto: DR AMADORA COMPASSIVA - uma comunidade que cuida com_PAIXÂO - Foto: DR

No início foi necessário fazer um projeto para a candidatura. Para isso recolhemos o máximo de informação, procurámos parcerias e informação geral sobre outras experiências e elaborámos um projeto básico, apenas um referencial do que podia ser uma comunidade compassiva.

Depois de escolhido o nosso projeto, começámos efetivamente a trabalhar, procurando conhecer o que está a ser feito pelo mundo neste campo para transformar as cidades em entidades mais humanas e amigas, fazer o levantamento dos recursos existentes, das organizações que estão no terreno e assim, de "baixo para cima", com a colaboração de todos, construir um projeto que seja resposta às necessidades e expectativas da comunidade da Amadora. Pois o que queremos é “fazer o caminho, caminhando” e isso tem sido muito importante.

Todos fomos cuidados e todos iremos cuidar. Todos somos cuidadores em potência! Todos fazemos parte de círculos de cuidado, pois vivemos em comunidade, e a vida do outro também faz parte da nossa vida.

O que esperam de nós?

Por isso, quando nas reuniões de divulgação nos perguntam: “O que esperam de nós?”, respondemos que esperamos que colaborem, que deem ideias, que digam o que faz falta na Amadora e o que sentem que podem fazer para colaborar, como organização e como pessoas. Uma pessoa leva a outra, uma organização abre a porta de outra, as diferentes pessoas e organizações dizem o que faz sentido, trazem projetos e envolvem-se.

Elaborámos um Plano de Ação e nesta fase estamos a informar, divulgar e sensibilizar. Definimos a meta, os objetivos, as ações e os indicadores de avaliação. Definimos a organização da equipa e dividimos tarefas.

Numa primeira fase o que faremos são ações de sensibilização e capacitação e posteriormente, criaremos as Redes Colaborativas de Cuidado (RCC). E, como estamos em contacto direto com as equipas que estão no terreno, seja da área da saúde ou social e com as organizações da comunidade, as pessoas podem, a qualquer momento, ser referenciadas por ter necessidade de ativação duma RCC. Se tal acontecer, nesta fase inicial, vamos ver o que se pode fazer, que recursos se podem alocar, que rede se pode criar e daremos a resposta dentro das limitações iniciais. Pois, também aqui iremos fazendo o caminho, caminhando.

Desejamos que a experiência da Amadora Compassiva e do Porto Compassivo sejam inspiradores de novas cidades e comunidades.

Iniciamos assim, em conjunto, o movimento “Portugal Compassivo” que inclui também Borba, no projeto Borba Contigo.

Como participar?

É possível participar no movimento Portugal Compassivo, seguindo as ações que se vão desenvolvendo, participando nelas, divulgando-as e inspirando a criação de novos projetos..  

Foi assim criada uma página Web e uma página de facebook o que facilita a divulgação e o acompanhamento do movimento. Visite e acompanhe o projeto!

A origem do projeto

A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) e a Fundação “la Caixa” celebraram, em Junho de 2019, um Protocolo de Cooperação que tem como objetivo a atribuição de financiamento para a criação de duas comunidades compassivas. 
A APCP lançou um concurso nacional e a LInQUE, em parceria com a Câmara Municipal da Amadora, Santa Casa da Misericórdia da Amadora, Associação AMARA e outras organizações, candidatou-se. O projeto Amadora Compassiva foi selecionado, assim como o Projeto Porto Compassivo.

Comunidades Compassivas - O conceito

Cidades compassivas são comunidades que reconhecem que todos os ciclos naturais de doença e saúde, nascimento e morte, e amor e perda, ocorrem todos os dias dentro das órbitas de suas instituições e atividades regulares.

Uma cidade compassiva é uma comunidade que reconhece que cuidar uns dos outros em momentos de crise e perda não é simplesmente uma tarefa exclusivamente para serviços sociais e de saúde, mas é responsabilidade de todos.

Cidades Compassivas são comunidades que encorajam publicamente, facilitam, apoiam e celebram o cuidado mútuo durante os momentos e experiências mais desafiantes da vida, especialmente aqueles relacionados a doenças que ameaçam a vida e a limitam, doença crónica, fragilidade, envelhecimento e demência, sofrimento e luto.

Embora o serviço público se esforce para manter e fortalecer serviços de qualidade para os mais frágeis e vulneráveis nem todas as pessoas têm acesso a eles. Situações graves de doença, morte e perda podem acontecer a qualquer momento, durante o curso normal das nossas vidas.

Uma cidade compassiva é uma comunidade que reconhece e aborda diretamente esta realidade social.

A compaixão é um fio fundamental no tecido de um mundo novo e sustentável.

A capacidade de entender o sofrimento e a sua origem carece de um coração desperto, aberto e atento. Com paixão. É preciso por isso, compreendê-la.

Para que a compaixão possa existir e sobreviver, é preciso ir para além-fronteiras e para ir além-fronteiras é preciso conhecer a  bússola que nos orienta e a âncora que nos enraíza. Porque sem norte, somos travados pelo medo. Porque sem chão, perdemo-nos de nós mesmos. Porque para que  coração acorde e abrace o mundo, é preciso a força dos nossos limites e da nossa pele. - Ser Terra de Ana Sevinate , Edições Chiado