Sociedade | As Marcas e a longevidade: Onde está o poder de compra e a influência?

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As Marcas e a longevidade: Onde está o poder de compra e a influência?

15/06/2020 | Sofia Alçada

Poder de compra e influência - Foto: Unsplash Poder de compra e influência - Foto: Unsplash

Por todo o mundo, a população com mais de 50 gastou cerca de $8 triliões em 2010 em compras. A projeção para 2020 é que este valor chegue aos $15 triliões. O que percebemos é que esta população está a ganhar poder de compra mas também, poder de influencia.

Hoje, mais de 50% da população adulta tem 50 anos ou mais. No ano de 2050, a perspetiva é que cheguem aos 2 mil milhões de pessoas com mais de 50 anos. Portanto, as marcas que estão atentas, que acompanham as tendencias e o poder de compra e de mercado, tem percebido que há necessidade de alterar o seu comportamento. E melhor do que focar-se apenas numa geração em detrimento de outra, o futuro e o presene, deverá passar a ser multigeracional, como já o é, em muitos casos, multicultural.

Existem já exemplos onde podemos ver essa mudança no comportamento das empresas. Nomeadamente ao nível da publicidade com marcas a irem buscar rostos que foram em tempos as suas embaixadoras, ou outros de áreas diferentes mas com um denominador comum: O poder de influência, para além da idade.



Nunca é tarde: Modelo que volta a dar a cara pela marca

Quase 21 anos depois de ter sido despedida, Isabella Rossellini então com 63 anos, recuperou um contrato com a marca de cosmética Lancôme. A marca prescindiu da cara de Isabella Rosselini porque na altura a modelo já não representava o sonho de juventude que a marca pretendia.

Com mais idade, mais maturidade, mais experiência, mas também mais rugas e cabelos brancos Isabella Rossellin aceitou o desafio e voltou a dar a cara pela marca.

Ao fim de tantos anos, porquê dar a cara pela marca?

Porque em 20 anos muitas coisas mudam na vida de uma mulher (Isabella Rosselini já é avó) mas também na vida de uma empresa. Hoje a marca acredita que as mulheres não querem apenas parecer novas, mas que querem gozar de um envelhecimento ativo e ser incluídas ao longo das várias fases de vida. Com base nesse novo posicionamento da marca e na mensagem de inclusão que querem transmitir, é que fez agora sentido a contratação de uma cara tão conhecida dos consumidores como é Isabella Rossellini.

Veja aqui a história e as filmagens

Outros exemplos na moda:

Mas a Lancôme não é caso único. Há várias marcas a recorrer a mulheres de mais ou menos idade, que saem sem dúvida dos padrões até agora utilizados por estas marcas de moda ou cosmética.

A L’Oréal apostou na dupla Helen Mirren, na altura de 72 anos, e Jane Fonda, de 80. Stephanie Seymour, aos 46, é contratada pela Esteé Lauder.

 

Longevidade: Referências de moda e estilo com mais de 80 anos…

Daphne Selfe, que é a modelo mais velha do mundo a exercer a profissão. Recentemente foi a cara das máscaras da Eyeko, uma marca londrina de maquiagem para os olhos. Além de promover o produto, a modelo promove o envelhecimento ativo lançando um desafio: “qual a história das suas pestanas?”

As dela falam de um início de carreira nos anos 50 e de uma redescoberta num artigo da Vogue aos 70 anos de idade. Daphne Selfe refere ainda o uso de maquiagem em pessoas mais velhas como uma forma de readquirir confiança e instiga as mulheres a nunca deixarem de se cuidar.

Um ícone de Moda aos 80 anos

Outra marca que recorreu a escritora Joan Didion com 80 anos foi a Céline na sua campanha em 2015. A norte-americana que ajudou a criar o jornalismo participativo sempre foi um exemplo de estilo. Didion começou a sua carreira a escrever na Revista Vogue e disse não ter ideia de como a escolheram, sabendo apenas que recebeu um telefonema da diretora criativa da marca, Phoebe Philo, a convidá-la.

A fotografia onde aparece com uns óculos de sol da marca que reproduzimos abaixo, foi tirada por Juergen Teller, na Madison Avenue, em Nova Iorque, onde vive. Recorde-se que não é a primeira vez que a escritora serve de modelo. Em 1991, participou numa campanha da GAP ao lado da filha, Quintana.

 

https://static.independent.co.uk/s3fs-public/thumbnails/image/2015/01/07/10/celine.jpg?w968h681

As tendências mudam, os gostos, as pessoas e as marcas também.

Também em Portugal, podemos ver exemplos ainda que escassos. Foi o caso da Moda Lisboa 2020, num dos desfiles masculinos de Nuno Gama.

 

 

 

Efetivamente, cada vez mais marcas ligadas à cosmética e a moda e bem-estar, estão a optar por incluir modelos mais velhas como protagonistas das suas campanhas.

Estas mulheres e homen inspiram uma multidão de outras pessoas a sentirem-se bem com a sua idade. E, mais do que representar a beleza da juventude, representam energia, poder de compra e a influência, exemplificando um envelhecimento ativo e uma longevidade que atrai as pessoas da sua idade mas também milhões de jovens de todo o mundo

Uma estratégia que mostra que afinal, a beleza não tem idade!