Habitação | As novas vidas da Quinta Alegre

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As novas vidas da Quinta Alegre

20/07/2019 | Helena Lucas, Diretora do Departamento de Gestão Imobiliária e Património da SCML

Quinta Alegre, em plena Charneca do Lumiar Quinta Alegre, em plena Charneca do Lumiar

Na Quinta do Marquês de Alegrete, em plena Charneca do Lumiar, onde gerações de fidalgos da capital passavam primaveras e verões, vai nascer um projeto intergeracional único no nosso país.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), atual proprietária desta quinta, mais conhecida pelo nome de Quinta Alegre, reabilitou o palácio e o jardim envolvente, classificado como Imóvel de Interesse Público e detentor do Prémio da Reabilitação Urbana de 2017 para a categoria de restauro, edificou uma estrutura residencial para idosos (ERPI) e está a projetar uma unidade residencial para jovens e/ou seniores independentes.

Com o projeto de reabilitação e a dinamização da Quinta Alegre, a Santa Casa cruza duas das suas principais linhas de ação: apostar no paradigma da intergeracionalidade, para promover um envelhecimento mais ativo, e valorizar, rentabilizar e recuperar o seu património, permitindo novas vivências.

A Quinta Alegre tem um palácio junto à estrada a noroeste, de construção sólida e com capacidades físicas e funcionais, com uma grande qualidade arquitetónica, belíssimos azulejos e frescos de valor e um pátio retangular delimitado pela fachada principal do palácio. A sudoeste situavam-se as antigas cavalariças, que são hoje parte da ERPI. A sudeste, localiza-se um muro de acesso à propriedade e um outro de ligação ao jardim e à quinta, com pavimento em calçada à portuguesa, um jardim com um lago artificial e um poço e três pavilhões cobertos por vegetação densa.

A reabilitação da Quinta Alegre foi pensada em três fases distintas. Numa primeira fase foi reabilitado o palácio e o jardim romântico, para constituir a unidade social, com cerca de 5000 metros quadrados. O espaço lúdico permite a realização de diversas atividades, abrindo o palácio à comunidade e servindo de apoio à estrutura residencial para idosos e à futura unidade residencial.

Capacidade total para 75 quartos

Na segunda fase, concluída em 2018, foi construída, na área poente, a ERPI, com cerca de 1850 metros quadrados. Esta intervenção abrange a reabilitação dos anexos agrícolas existentes e a construção de um novo edifício independente, mas fisicamente ligado através de um passadiço. A capacidade total é de 43 quartos (12 quartos duplos, seis quartos individuais, sete apartamentos T0 e três apartamentos T1, sendo que a tipologia T0 possui quartos individuais e a tipologia T1 quartos duplos). Assim, no total, esta fase tem capacidade para 75 camas.

Numa terceira fase inclui-se a Unidade Residencial, que está em fase de projeto e pretende-se que seja constituída por um conjunto de 14 apartamentos para seniores autónomos, de modo a dar cumprimento à premissa inicial do projeto global, assente na vivência intergeracional pretendida para esta intervenção multifuncional.

Assim, neste novo espaço, a SCML pretende fomentar uma relação intergeracional entre pessoas com mais idade e jovens, criando zonas comuns de encontro e reunião, garantindo uma interação constante, evitando o isolamento e a exclusão recorrentes na terceira idade, ao mesmo tempo que possibilita que lugares como este possam ser usufruídos por todos.