Blues zones – rumo à Sardenha | Sociedade

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Blues zones – rumo à Sardenha

02/11/2021 | Sílvia Triboni

Sardenha é uma das Blue Zones. Foto: Silvia Triboni Sardenha é uma das Blue Zones. Foto: Silvia Triboni

Agora, caso não saiba, vou lhe contar aqui um pouco do que tenho aprendido sobre as descobertas associadas a estas zonas e sobre as pessoas super longevas habitantes destes locais que tanto despertaram o interesse de quem se debruça sobre as questões do envelhecimento.

 

Blue Zones, Sardenha: Aí vou eu!

Interesso-me muito por tudo que nos possa inspirar na construção do nosso bom envelhecimento. Razão pela qual, quis saber mais sobre as Blue Zones que é algo que me desperta uma grande vontade de conhecer. Saber mais acerca dos estudos e das pessoas avaliadas pelos pesquisadores.

O trabalho por eles já realizado é vasto, e as Blue Zones, onde as pessoas centenárias vivem, estão espalhados pelo mundo. Assim, para que eu aprofunde estes conhecimentos, precisarei de muito esforço, dedicação e disposição para viajar.

Sem problemas! Decidi-me, então começar a minha exploração rumo aos segredos da vida longa e saudável.

Comecei pelo estudo da Sardenha, na Itália, a primeira região declarada Blue Zone.

Não posso deixar de dizer que iniciei os meus estudos pela Sardenha por interesse pessoal uma vez que sou cidadã italiana e sinto-me feliz por imaginar que meus ancestrais possam ter vivido naquela ilha italiana. Quem sabe eu, e meus filhos, possamos ter herdado alguma condição que nos ajude a viver longamente e com saúde. Será?

Será que o fator genético é significativo para que os habitantes das Blue Zones vivam tão bem e por tanto tempo? Da leitura deste artigo, saberá a resposta. Não quero antecipar nada. Mas, quero contar que já tenho passagem comprada para a Sardenha, e, em breve, e se tudo correr bem… Blue Zones, Sardenha… aí vou eu!

Por ora, deixo aqui uma síntese sobre as Blue Zones para que se inteire do assunto, e me acompanhe nesta nova aventura que, no final, nos proporcionará:

  • conhecimento,
  • aumento da auto-estima e,
  • quem sabe, algo mais para que nos leve a viver até os 100 anos com saúde e alegria.… ou mais.

 

O que são e como surgiram as Blue Zones?

Blue Zones (zonas azuis) é um termo não científico dado a regiões geográficas que apresentam habitantes que atingem idades muito mais elevadas em comparação ao resto do mundo. São pessoas que vivem com mais de 90 e 100 anos.

O termo apareceu pela primeira no artigo do jornalista Dan Buettner, de novembro de 2005 da revista National Geographic, "The Secrets of a Long Life".

O conceito das Blue Zones surgiu a partir do trabalho demográfico realizado pelos pesquisadores Gianni Pes e Michel Poulain descrito no jornal Experimental Gerontology,  que identifica a província de Nuoro na Sardenha como a região com a maior concentração de homens centenários (fonte: Wikipedia).

A partir do trabalho dos demógrafos Pes e Poulain, o jornalista Dan Buettner ampliou o alcance do termo ao publicar artigo na edição de novembro de 2005 da revista National Geographic, "The Secrets of a Long Life", em que incluiu outras 4 áreas de longevidade.

As 5 Blue Zones, descritas por Buettner são:

  1. Icaria (Grécia)
  2. Ogliastra, Sardenha (Itália)
  3. Okinawa (Japão)
  4. Península de Nicoya (Costa Rica)
  5. Os Adventistas do Sétimo Dia em Loma Linda, Califórnia (EUA)


Embora essas sejam as únicas zonas apresentadas no livro de Buettner, já se sabe que há outras regiões com pessoas com mais de 100 anos a viverem com qualidade de vida ímpar.

 

Sardenha – a primeira Blue Zone identificada

O trabalho inicial que inspirou Dan Buettner a pesquisar e escrever sobre as Blue Zones decorreu dos resultados das pesquisas de dedicados estudiosos da vida dos habitantes da Sardenha, Itália.

Tudo começou em 2004, na ilha da Sardenha, quando uma equipa de pesquisa com profissionais de diferentes áreas começou a investigar uma peculiaridade genética rara de seus habitantes: o marcador M26.

Constataram que este gene é ligado a longevidade excepcional dos residentes daquela ilha, um gene que permaneceu imutável nos habitantes daquele lugar.

Entretanto, descobriram, também, que não só a genética dos sardos, que era responsável pela longa e saudável vida dos habitantes. Constataram ser a vivência cultural isolada, a razão de terem até hoje um estilo de vida saudável e muito tradicional. Caçam, pescam e colhem os alimentos que comem. Eles permanecem próximos de amigos e familiares ao longo de suas vidas. Eles riem e bebem vinho juntos.

E ainda, segundo os pesquisadores, na Sardenha a demência nos habitantes centenários é algo raro. É fato que o envelhecimento afeta as nossas funções cerebrais, sendo estimado que 60 a 70% das pessoas idosas sofram de demência. Entretanto, naquela ilha somente 1/3 da população tem demência, ou seja, 2/3 dos sardos possuem capacidades cerebrais normais.

Por que essas regiões de chamam Blue Zones?

Vimos até aqui que a Sardenha foi a primeira região identificada como Blue Zone, sendo o Professor Giovanni Pes um dos pioneiros das pesquisas e descobertas

É interessante saber a razão da escolha do nome “Blue Zones” para identificar as localidades de pessoas ultra longevas.

Segundo Pes, a escolha da cor azul (blue) decorreu das marcações que faziam nos mapas para identificar demograficamente onde os estavam as pessoas 100+. Não foi inspirado pelos mares azuis claros, ou pelo azul do céu da Sardenha, mas sim porque marcava um ponto no mapa com um marcador azul cada uma das pessoas que identificava.

Depois de 6 meses, uma nuvem de pontos azuis formou-se no mapa e assim surgiu o nome de zona azul (Blue Zone) onde os longevos se aglomeravam.

“Era apenas a única cor de caneta que ele tinha na sua mesa. Um por um, os pontos azuis acumularam-se até surgir uma névoa de tinta azul cobrindo uma área geográfica. Esta neblina, depois de muito ceticismo e descrença, mais tarde se tornaria a primeira Zona Azul do mundo.

Giovanni Pes é pesquisador sênior do Departamento de Medicina Clínica e Experimental da Universidade de Sassari, Sardenha, Itália, cofundador da Blue Zone da Sardenha e expert em longevidade.

Em entrevista concedida ao site Preferred Magazine, Dr. Pes afirmou:

Durante décadas, acreditava-se que a longevidade era atribuída a fatores genéticos, mas a variabilidade da vida útil, segundo estudos recentes, mostra que aproximadamente 10% é atribuída aos genes. O resto depende de fatores não genéticos.”

 

Quais são os fatores não genéticos que garantem a longevidade na Sardenha?

Na entrevista citada, o ilustre Professor Pes revelou valiosas informações acerca do estilo de vida do povo centenário sardo (da Sardenha). Veja só:

Acho que podemos aprender muito com centenários da Sardenha.

A sopa da Sardenha, a clássica minestrone, por exemplo, é rica em vegetais e batatas. Às vezes as batatas não são consideradas saudáveis porque podem aumentar o nível de açúcar no sangue, mas como os centenários colocam um pequeno pedaço de banha na minestrone, essa banha diminui a absorção de açúcar, de modo que até mesmo as batatas podem ser consideradas bastante saudáveis, pelo menos na sopa da Sardenha.

Minhas recomendações são essencialmente três:

  1. Aumentar a atividade física. Acorde de manhã cedo, caminhe de forma consistente sem interrupção.
  2. Coma alimentos produzidos localmente, como queijo. Coma carne muito raramente. Durante a minha entrevista com centenários da Sardenha, descobri que o consumo de carne variava entre 2-3 vezes por mês.
  3. Troque leite de vaca por leite de cabra. Os sardenhos consomem queijo de cabra e leite com muita frequência. O leite de cabra é útil para melhorar o metabolismo e melhorar a saúde geral de uma pessoa. Sim, mesmo que o queijo não seja muito leve. Centenários comem queijo diariamente em quantidades limitadas. Eles nunca comem queijo de vaca, apenas queijo de ovelha ou cabra, que são comprovadamente mais saudáveis que queijo de vaca. O importante é evitar queijo de vaca e leite.”
  4. Ame os seus amigos e os seus familiares

Imagem: https://www.bluezones.com/exploration/sardinia-italy/

O que comem os Sardos?

Das orientações que recebemos do Professor Giovanni Pes, vimos que a típica alimentação do povo sardo é uma das fontes primordiais para se ter uma vida longeva e com saúde. Assim, vale a pena destacar alguns itens da alimentação clássica do povo sardo:

  • Pão integral, feijão, vegetais orgânicos, frutas e, em algumas partes da ilha, óleo de aroeira.
  • Tradicionalmente os sardos também comem queijo pecorino feito de ovelhas alimentadas com relva, cujo queijo é rico em ácidos graxos ômega-3.
  • Leite de cabra que possui propriedades que podem ajudar a proteger contra por exemplo, doenças cardíacas e Alzheimer.
  • Comem carne pouco frequentemente.

 

Beba um ou dois copos de vinho tinto diariamente.

E como bons italianos, os sardos bebem vinho com moderação. Bebem o vinho Cannonau que tem duas ou três vezes o nível de flavonóides em relação aos outros vinhos.

Feito de uvas grenache vermelhas, o vinho Cannonau é um dos elixires da longevidade do povo sardo. Segundo os pesquisadores, os super longevos da Sardenha bebem um copo ou dois diariamente.

 

Conclusão:

Após estas valiosas informações e recomendações acredito que já tenha ficado inspirado e com vontade de mais sobre os habitantes das Blue Zones.

De minha parte, comprometo-me a contar tudo o que vir, aprender e experimentar em minha exploração na Sardenha, para todos nós tenhamos uma vida longa e plena de saúde e felicidade.

Vibre por mim, e, como dizem os sardos: "A Kent'Annos"– Que viva até os 100