EasyJet está a recrutar pessoas com mais de 45 anos | Rendimento

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EasyJet está a recrutar pessoas com mais de 45 anos

15/12/2022 | Sofia Alçada

Neil Brown (59) e Holly Sauble (29) pai e filha, na EasyJet Fonte: Matt Alexander/PA Neil Brown (59) e Holly Sauble (29) pai e filha, na EasyJet Fonte: Matt Alexander/PA

Num artigo publicado no The Guardian, percebemos o movimento do mercado de trabalho num dos países europeus, que devido por um lado ao Brexit, que provocou uma escassez de recursos, por outro, ao peso do envelhecimento da população, começa a olhar para os recursos com mais de 45 anos e para as pessoas com vontade de mudar a sua vida.

Assim, a confirmar estes dados, refira-se que a companhia aérea registou um aumento de 27% na tripulação com mais de 45 anos nos últimos quatro anos, incluindo um aumento de 30% nos com mais de 60 anos no último ano.

Campanha de recrutamento para os mais de 45 anos: a origem

A campanha tem como objetivo captar a atenção dos chamados  "empty nesters" que são aqueles pais cujos filhos já saíram de casa - e ainda, trabalhadores à procura de um novo desafio de carreira depois dos 45 anos, que estejam numa fase de requalificação e de mudança para algo com que se identifiquem.

Num estudo realizado pela Easyjet, a companhia percebeu que mais de 78% dos adultos britânicos com mais de 45 anos disseram que gostariam de um novo desafio quando os filhos saíssem de casa.

Mais de metade (58%) disseram estar entusiasmados com o início de uma nova carreira.

Estas conclusões foram obtidas através da realização de um inquérito a 2.000 pessoas.


Uma campanha de recrutamento que reflete a ausência de recursos:

A indústria tem enfrentado graves problemas no recrutamento de pessoal pós-pandemia, com reflexo nas:

  • longas filas de espera nos aeroportos,
  • atrasos nos voos,
  • cancelamentos e malas perdidas.

Michael O'Leary, da Ryanair, refere que a saída da Grã-Bretanha da UE prejudicou o recrutamento para a indústria aeronáutica: "um desastre para a livre circulação da mão-de-obra e um dos verdadeiros desafios que a economia britânica enfrenta".

Charlie Cornish, o chefe executivo proprietário dos aeroportos de Manchester, Stansted e East Midlands, referiu que "não havia dúvidas" de que Brexit tinha prejudicado a economia britânica e "exacerbado maciçamente" os problemas de recrutamento de pessoal.

As empresas britânicas têm lutado para encontrar colaboradores, em parte devido a mudanças na força de trabalho após a Covid-19, tais como mais pessoas com doenças prolongadas, mas também ao fim da livre circulação dos cidadãos da UE, que perderam o direito automático a trabalhar no Reino Unido após Brexit provocando uma escassez no mercado de recrutamento.

Recrutamento sénior: Outro exemplo

Antes da EasyJet, já o retalhista Halfords tinha lançado uma campanha de recrutamento para o preenchimento de cerca de 1.000 novas funções na área técnicas que visando os reformados e o aumento do número de mulheres em postos de técnicos.

Também a presidente da John Lewis Partnership, Dame Sharon White, refere a dificuldade de recrutamento que o Reino Unido está a enfrentar e lança um sério desafio ao governo britanico para se concentrar em conseguir que os cerca de 1 milhão de cidadãos, na sua maioria com mais de 50 anos, que deixaram a força de trabalho durante a pandemia de Covid-19, voltassem ao trabalho. No programa Today da BBC Radio 4, Dame reforça:

"Temos agora menos 1 milhão de pessoas a trabalhar. Alguns pensam nesta situação como a "grande demissão". Eu penso nela como uma fase de 'reavaliação da vida', porque são predominantemente pessoas na casa dos seus 50 anos".

Reforçando a importancia dos recursos humano na empresa, Michael Brown, director dos serviços de cabina do easyJet, disse: "as pessoas estão no centro de tudo o que fazemos, e é pelo acolhimento caloroso e pelo impecável serviço ao cliente que a nossa tripulação de cabina é famosa".

Um aviso e uma realidade

Aqui está um exemplo do que em breve se passará por vários países, nomeadamente na Europa, onde assistimos a um claro envelhecimento da população que afeta o mercado de trabalho com maior impacto. E Portugal, com a perda de população e o seu progressivo envelhecimento, não será seguramente exceção.

Temos de olhar para este fenómeno e pensar as soluções, transformando estes desafios em oportunidades.

Estão as empresas a perceber este movimento? E os governos, estão a apoiar de forma eficiente as empresas e as pessoas neste processo? E as pessoas, estão adequadas aos desafios de uma economia em constante mutação e que muitas vezes exige novas competências ou pelo menos a adaptação das atuais?

Fonte: The Guardian