Sociedade | Misericórdia de Lisboa investe nos cuidados continuados integrados

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Misericórdia de Lisboa investe nos cuidados continuados integrados

18/04/2019 | Ana Jorge, Coordenadora Unidade de Missão do Hospital da Estrela, SCML

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As alterações demográficas que se têm verificado nas últimas décadas têm levado ao envelhecimento da população. Trata-se de uma consequência da conjugação de vários fatores, como o aumento médio da esperança de vida, a redução da natalidade, a emigração dos jovens, o aumento das doenças crónicas, que são também mais prolongadas, o aumento das doenças degenerativas e uma maior prevalência de pessoas com demência.

Estas alterações acontecem numa sociedade em que as famílias são cada vez mais reduzidas e, muitas vezes, reestruturadas, em que o emprego precário ou o desemprego são uma preocupação e o afastamento entre gerações, por diversas razões, é grande. Isso coloca a questão do envelhecimento, aos que vivem sós e mais doentes, como um problema a ser repensado na sociedade.

Esta questão é universal, mas Portugal é dos países em que as taxas de envelhecimento tem mais tendência a aumentar. Prevê-se que, em 2050, Portugal seja o quarto país da União Europeia com a maior percentagem de pessoas dos escalões etários mais avançados (31,9%), só ultrapassado por Espanha (35,6%), Itália (35,3%) e Grécia (32,5%).

Com estas alterações demográficas e com o paradigma da saúde, refletido no aumento da prevalência de doenças crónicas incapacitantes, surgem novas necessidades de saúde e sociais. Isso requer respostas integradas de saúde e ações sociais que satisfaçam as necessidades das pessoas e das famílias.

 

Primeira unidade em 2012

A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), criada em 2006, foi uma das respostas que nasceu para responder a este desafio. Sendo uma das principais missões da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) responder às necessidades da comunidade, a instituição inaugurou, em 2012, a sua primeira unidade de cuidados continuados: o Hospital Maria José Nogueira Pinto. Na altura, esta unidade não estava integrada na RNCCI, o que vem acontecer, em parte da sua capacidade instalada, em 2016.

Nesse mesmo ano, a SCML volta a apostar nos cuidados continuados Integrados, com a assinatura de um protocolo com o Ministério da Saúde e o Ministério do Trabalho e Segurança Social, que tinha como objetivo a reabilitação do antigo hospital militar da Estrela numa unidade de cuidados continuados. As obras estão em curso.

Também em 2016, a SCML estabeleceu um outro protocolo com o Centro Hospitalar Lisboa Norte, desta feita para desenvolver unidades de cuidados Continuados no Parque de Saúde Pulido Valente. Surge, assim, a unidade de São Roque, com uma capacidade de 44 camas, com três tipologias: Unidade de Convalescença (dez camas), Unidade de Média Duração e Reabilitação (13 camas) e Unidade de Longa Duração e Manutenção (21 camas).

Esta unidade de cuidados continuados será a primeira na cidade de Lisboa com resposta em longa duração e manutenção e também de média duração e reabilitação. Irá integrar a RNCCI, recebendo doentes referenciados pela rede. Prevê-se a sua abertura, com a entrada dos primeiros doentes, durante este mês de maio.

Refira-se que um dos objetivos da RNCCI é promover a continuidade de cuidados e articular soluções com as estruturas da comunidade, de forma a encontrar respostas, além do domicílio, quando os doentes já não necessitam de cuidados de saúde que justifiquem a sua permanência neste tipo de unidades. Assim, as questões de proximidade são muito relevantes para o trabalho com as estruturas da comunidade.