Saúde e Bem Estar | 'Ó tempo volta para trás'

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'Ó tempo volta para trás'

04/07/2020 | Fernanda Cerqueira

Engenharia regenerativa na melhoria da qualidade de vida. FOTO UNSPLASH Engenharia regenerativa na melhoria da qualidade de vida. FOTO UNSPLASH

Temos ganho mais anos de vida, contudo o relógio diz-nos sempre que temos pouco tempo, que é tarde, que estamos atrasados…

«Temos mais tempo, mas teremos necessariamente, um tempo maior?»

A questão foi colocada pelo professor Mário Barbosa, que falava durante a conferência ‘Longevidade: Regeneração’, uma iniciativa da Culturgest, e que decorreu online, no dia 23 de junho.

«Em média, hoje vivemos mais tempo», começou por reconhecer o professor catedrático do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. «Em 2014 havia 85 milhões de pessoas com mais do que 65 anos de idade na Europa (17% do total da população europeia). Em 2030 prevê-se que sejam mais de 125 milhões (23% do total) e em 2060, 155 milhões (30% do total)», além disso «o número de centenários e super-centenários (pessoas com idade superior a 110 anos) continua a aumentar».

Contudo, «a esperança média de vida em 2017 era de 73 anos, mas a esperança média de vida saudável era de apenas 63 anos». «Ou seja, 10 anos são vividos com pouca qualidade de vida». Razão pela qual não podemos ignorar a questão «teremos, necessariamente, um tempo maior?»

Acertar os ponteiros para reduzir o tempo perdido

Na opinião do professor Mário Barbosa «a questão da qualidade de vida e o prolongamento do tempo durante o qual dela usufruímos é o mais importante». E aqui a regeneração poderá contribuir, ajudando a melhor a qualidade de vida.

«A regeneração biológica é um processo natural, inerente à manutenção da vida e à sua evolução, mas também à sua finitude. Regenerar pode ser rejuvenescer, no sentido em que readquirimos bem-estar ou funções perdidas, mas não nos devolve à infância ou à juventude. O cronómetro biológico não volta ao zero quando se inicia uma etapa na vida, originada por mudanças físicas, sociais, ambientais, laborais, estéticas ou outras». «Tal como encaro a engenharia regenerativa – prefiro esta expressão a medicina regenerativa, embora ambas impliquem, no concreto, uma intervenção sobre tecidos e órgão com a mesma finalidade – a sua função primordial é melhorar a qualidade de vida». Ou seja, «o seu papel deve ser reduzir progressivamente os anos vividos com pouca qualidade de vida». Acrescentou, por fim, que a regeneração «não é dirigida apenas aos mais idosos, mas a todos os que padecem de patologias não resolúveis por via natural ou com recurso a terapias convencionais.

 

'Ó tempo volta para trás

Traz-me tudo o que eu perdi

 Tem pena dá-me a vida

 A vida que eu já vivi'

 

A ciência dá diariamente passos largos para vivermos mais e melhor por mais tempo. Contudo, o seu papel pode ser mais modesto do que aquele que lhe podemos atribuir na hora de acertar os ponteiros para reduzir ao mínimo o tempo perdido. Trabalhamos dia e noite. Dormimos pouco e mal. Desvalorizamos a importância da alimentação e de um estilo de vida saudável e deixamos o stress comandar as nossas vidas.

Pare o seu relógio. Tire um tempo para si e para os seus. Faça um segundo valer muito mais. 

'Ciclo Longevidade', uma iniciativa da Culturgest

A conferência online 'Longevidade: Regeneração’, decorreu no dia 23 de junho, e integra o 'Ciclo Longevidade', uma iniciativa da Culturgest, em parceria com a Fidelidade. Pode assistir à conferência completa no vídeo abaixo ou no Youtube da Culturgest.

Nesta conferência, além do professor Mário Barbosa, participaram também Alexandra Marques, uma das fundadoras do grupo de investigação 3B’s da Universidade do Minho, António Jacinto, investigador do Centro de Estudos de Doenças Crónicas (CEDOC) e subdiretor para a Investigação da NOVA Medical School da Universidade NOVA de Lisboa, onde é também docente na área de Medicina Celular e Molecular, e também Lino Ferreira, investigador coordenador na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Esta conferência terminou com a intervenção do professor catedrático Joaquim Sampaio Cabral, diretor e fundador do Instituto de Bioengenharia e Biociências do Instituto Superior Técnico. Contamos-lhe tudo sobre a participação do professor Joaquim Sampaio Cabral no artigo 'Who wants to live forever?', da Sílvia Triboni.