Os Hábitos do Consumidor Português | Sociedade

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Os Hábitos do Consumidor Português

13/01/2022 | Sofia Alçada

Estudo sobre os hábitos em pandemia Fonte: Pexels Estudo sobre os hábitos em pandemia Fonte: Pexels

As mudanças de comportamentos dos portugueses com a chegada da pandemia estão presentes no estudo “Hábitos do Consumidor Português”, desenvolvido pela Boston Consulting Group (BCG), onde são analisadas as perspetivas dos portugueses sobre o futuro da pandemia, e como o seu quotidiano foi afetado nas áreas das:

  • atividades essenciais e lazer;
  • poupança e despesa;
  • hábitos digitais;
  • habitação
  • trabalho
  • saúde
  •  sustentabilidade.

 

Aumento da Poupança e a intenção em investir em produtos financeiros

Apesar da acumulação de riqueza ter abrandado durante a pandemia, com uma taxa de crescimento médio anual de 3% em 2015-2019, a comparar com os 2% em 2019-2020, e de uma considerável parte da população ter sido impactada financeiramente, 41% dos portugueses conseguiram poupar mais do que em anos anteriores.

Como aplicam este capital?  

  • 60% indica que será para fazer face as necessidades de futuro,
  • 31% para viajar,
  • 28% para investir num imóvel
  • 26% para investir em produtos financeiros.

Ainda em período de pandemia, verificou-se um aumento de gastos em veículo pessoal, educação e soluções de investimento. Também as categorias de despesas como animais de estimação ou entretenimento em casa registaram um aumento, mas de uma forma que se prevê temporária. Algumas categorias caíram temporariamente, como as despesas em restauração ou vestuário, e é expectável que outras venham a ter um peso menor no futuro dos portugueses, tais como bens de luxo e transportes públicos.
 

Qual a opção quanto aos pagamentos?

Acentuou-se a tendência de não utilizar o dinheiro físico, aumentando a utilização do online banking (23%) e de aplicações móveis (21%).

  • 51% das pessoas pagou em dinheiro com menor frequência,
  • 20% utilizou MB WAY
  • 13% a aplicação do próprio banco.

Esta mudança para o digital pode estar relacionada com o aumento das compras online, sendo que 44% dos portugueses recorreram mais ao e-commerce, comparando com o período pré-pandemia. Entre os motivos para esta escolha destacam-se os melhores preços/descontos (53%) e o evitar de multidões (51%).


Maior otimismo em relação ao futuro e alteração dos hábitos

Quanto às atividades essenciais e de lazer, os portugueses esperam alterar os seus comportamentos face ao período pré-pandemia:

  • 43% quer mais tempo com a família,
  • 38% opta por fazer mais compras online,
  • 34% a planear utilizar menos transportes públicos
  • 47% a revelar que irá com menor frequência a discotecas.

Com os confinamentos e as precauções com o distanciamento social, os consumidores passaram mais tempo em redes sociais e a percentagem de pessoas que as utilizaram durante mais de uma hora por dia aumentou perto de 10 p.p., quando comparado com o período pré-pandemia.

Também a utilização de plataformas de streaming aumentou mais de uma hora por dia a chegar aos 53%, aproximadamente 15 p.p. acima do registado em período pré-pandémico.

Após quase dois anos de incerteza em relação ao impacto da pandemia nos voos e nas restrições de chegada e partida, 56% dos inquiridos espera viajar mais no pós-pandemia do que anteriormente, e 79% imagina-se mesmo a fazer uma viagem no próximo ano.


Como querem os portugueses trabalhar?

O regresso ao trabalho continua a ser uma incógnita para empregadores e colaboradores com 64% da população a afirmar sentir-se confortável ou indiferente a trabalhar presencialmente, mas apenas 36% a preferir um modelo totalmente presencial. Esta preferência por modelos com componentes remotas pode estar relacionada com alguns sentimentos gerais:

  • 31% das pessoas sentirem que são mais produtivas a trabalhar de forma totalmente presencial;
  • 58% tem vontade de utilizar o tempo livre “extra” para estar com a família
  • 49% para cuidar da casa
  • 45% para praticar desporto (45%)
  • E cerca 10% da amostra mostra receio em voltar a utilizar transportes públicos.

Com os novos modelos de trabalho, muitos trabalhadores ponderam mudar-se para outras regiões, fora das cidades.

O estudo refere que, apesar de 45% dos portugueses quererem mudar de residência, procurando uma melhor qualidade de vida, uma habitação maior, devido à troca de emprego ou para baixar o custo de vida. No entanto, apenas 16% conseguiu fazê-lo durante a pandemia.

Um em cada cinco portugueses sente-se psicologicamente instável

No tema da saúde, verificou-se uma deterioração da saúde mental dos portugueses, registando-se um aumento de 9% para 20% de pessoas que se sentem instáveis psicologicamente. Entre os principais mecanismos iniciados para inverter este sentimento, destaca-se a prática de meditação e as consultas de Psicologia.

A maioria dos portugueses reconhece ainda que passou a dar maior importância à saúde mental e física, à família, à estabilidade financeira e ao crescimento pessoal. Ainda 33% das pessoas começaram a importar-se mais com a adoção de comportamentos sustentáveis, o que se materializa na alteração de alguns comportamentos como a utilização de sacos reutilizáveis (49%) e a utilização de embalagens reutilizáveis (36%).

Metodologia
Entre 18 e 22 de novembro de 2021, a BCG em Lisboa inquiriu 1.000 portugueses de todas as idades, géneros e regiões para compreender como estes alteraram e esperam alterar os seus hábitos de consumo e vivência num futuro próximo, devido à Covid-19. O estudo analisa como estes veem a evolução futura da pandemia, bem como outras cinco áreas do seu quotidiano: (1) Atividades essenciais e de lazer; (2) Poupança e Despesa; (3) Hábitos digitais; (4) Habitação e trabalho; (5) Saúde e sustentabilidade.

Fonte: PR Boston Consulting Group