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Tecnologia motor para sociedade mais ativa e saudável

19/07/2019 | Filipa Fixe - Glintt

Filipa Fixe, administradora e diretora do mercado de healthcare da Glintt Filipa Fixe, administradora e diretora do mercado de healthcare da Glintt

O envelhecimento acentuado da população e o aumento das doenças crónicas são os principais desafios nos países desenvolvidos, com grande impacto nos custos em saúde e assistência social. Por outro lado, a tecnologia invade o nosso dia a dia, prevendo-se que o número médio de dispositivos por pessoa seja de 6,58 em 2020 (dados da Jaze Networks). Ou seja, vivemos num mundo digital, virtual e de mobilidade.

Portugal tem uma esperança média de vida de 81,3 anos, uma das maiores da Europa. No entanto, a qualidade de vida permanece inferior aos restantes países da Europa. Compare-se, por exemplo, o número de anos de vida saudável aos 65 anos de idade em Portugal (sete) com a média europeia (9,95). Este dado alerta para um plano de ação urgente, de forma a garantir a sustentabilidade dos serviços de saúde e social e, acima de tudo, alcançar a longevidade com qualidade de vida.

Adicionalmente, 26% das pessoas com mais de 65 anos utilizam a Internet, pelo menos, uma vez por semana no nosso país, uma percentagem que compara com os 45% de média europeia. Isso aponta, portanto, para um longo caminho de incentivo à utilização dos sistemas de informação (e-inclusão).

 

Gestão da saúde ao invés de gestão da doença

 

Surge agora a questão: como potenciar a utilização da tecnologia para garantir estilos de vida mais saudáveis e um envelhecimento ativo? Numa primeira análise, o valor trazido pela tecnologia à prestação de cuidados de saúde é indubitável, na medida em que esta centraliza o cidadão no sistema de saúde. A telemedicina, por exemplo, acarreta inúmeras vantagens ao permitir a realização de teleconsultas a cidadãos de áreas rurais isoladas ou a monitorização remota de doentes, contribuindo, assim, para um maior bem-estar, conforto e recuperação mais célere.

Numa análise mais disruptiva, a evolução na área da Genómica, recorrendo, por exemplo, a chips de ADN ou de proteínas (conceito de lab-on-a-chip), tem permitido desenvolver a personalização da terapêutica e antecipar o diagnóstico. Além disso, as soluções inovadoras estão a evoluir para a gestão da saúde pelo próprio cidadão, ao invés da gestão da doença. Neste sentido, o fim último é a prevenção e não a terapêutica.

Resumidamente, as ciências da vida podem e devem ser o motor para uma sociedade mais ativa e mais saudável. As oportunidades alavancadas implicam a utilização racional dos meios tecnológicos para romper com as desigualdades de acesso a cuidados de saúde, maximizar as capacidades funcionais das pessoas com mais idade e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida das pessoas.