Saúde e Bem Estar | Uma epidemia silenciosa, a demência

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Uma epidemia silenciosa, a demência

26/09/2020 | Fernanda Cerqueira

Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência. FOTO UNSPLASH Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência. FOTO UNSPLASH

A Organização Mundial de Saúde estima que em todo o mundo existam 47.5 milhões de pessoas com demência, número que pode atingir os 75.6 milhões em 2030 e quase triplicar em 2050 para os 135.5 milhões.

A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, constituindo cerca de 50% a 70% de todos os casos.

Na semana em que se assinalou o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer (21 de setembro) convidamo-lo(a) a ver ou rever a conferência online – Doença de Alzheimer em tempos de pandemia – uma conversa informal, promovida pelo Campus Neurológico Sénior - CNS em parceria com a Associação de Estudantes da Escola Superior de Saúde (aeESS), e que reuniu profissionais e especialistas de saúde de vários quadrantes para falar do impacto da Covid-19 nos doentes com Alzheimer, famílias e cuidadores.

 

Um painel de profissionais e especialistas de saúde que deixam alertas. Relembram a importância da prevenção e a importância do diagnóstico precoce. Falam do enorme desafio que as famílias e os cuidadores de pessoas com Alzheimer enfrentam diariamente e das dificuldades que todos, incluindo equipas de saúde, enfrentaram na adaptação às limitações impostas pela Covid-19.

Estes foram «tempos difíceis. Foi lidar com o desconhecido», reconhece a neurologista Camila Nóbrega. Não obstante o esforço para contornar as dificuldades, com recurso às novas tecnologias, com videochamadas e teleconsultas, Camila Nóbrega refere que as pessoas com demência fazem parte de «uma população muito mais vulnerável» e que «são talvez quem está mais distante das novas tecnologias» e que «nem tão pouco tem a capacidade suficiente de adaptação a esta situação».

Tiago Pama, Coordenador de Enfermagem do CNS, conta que um dos maiores desafios foi «tentar comunicar de forma eficaz com o doente e explicar o porquê das suas rotinas terem sofrido alterações». A começar pela restrição das visitas familiares. «Doentes que tinham visitas quase diariamente e que passam a ter visitas muito pontuais, uma vez por semana. O doente muitas vezes não percebe porque é que os seus familiares não o vêm visitar. E isto acaba por criar um sentimento de abandono, que não é real, mas a que ausência física induz».

Rosário Zincke, representante da Associação Alzheimer Portugal, acrescenta o impacto da pandemia nas famílias e cuidadores de doentes com Alzheimer. «Os familiares cuidadores têm-se ressentido muitíssimo. Porque uma coisa é receber o familiar ao final do dia e outra coisa é ter de prestar cuidados 24 sobre 24 horas». «Temos tentado manter a relação à distância quer com os cuidadores quer com as pessoas com demência. E tentando manter todas e as intervenções que mesmo à distância sejam possíveis, como é o caso, por exemplo, da musicoterapia. Ficamos, contudo, muito aquém daquilo que as pessoas precisam».

 

Qual a importância do diagnóstico precoce?

A primeira vantagem, talvez a maior, de um diagnóstico precoce é o esclarecimento. «É fundamental esclarecer a pessoa e a família sobre o que é que significam aqueles esquecimentos, se são tratáveis, se não são tratáveis», conta Camila Nóbrega. Acresce que «quanto mais cedo for identificada a demência, mais cedo começarão os tratamentos e o seu efeito será maior, no sentido de minimizar o declínio funcional associado à demência».

Além disso existem questões práticas muito importantes e que podem ser verdadeiramente impactantes no futuro bem-estar do doente com demência. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maior é a liberdade do doente de decidir o seu futuro, nomeadamente, na decisão de saber quem será a pessoa responsável. «Quanto mais tarde o diagnóstico for feito menor é a possibilidade de o doente participar nesta decisão». Não menos importante, um diagnóstico precoce permite uma melhor preparação da família e de adaptação do cuidador.

 

Comportamentos que podem fazer a diferença

Podem ter um importante papel na prevenção e mesmo na progressão da doença de Alzheimer determinadas opções que fazemos no nosso dia-a-dia. Escolha um estilo de vida saudável, pratique exercício físico e cuide da sua alimentação. Mantenha o cérebro ativo e participe em atividades sociais. Cuide da sua saúde e viva mais e melhor!

 

Bravo!

O nosso aplauso para a mais recente campanha solidária da Associação Alzheimer Portugal “ÀS VEZES, O QUE PARECE UMA DESPEDIDA, PODE SER UM RECOMEÇO”.

 

Para saber mais sobre a doença de Alzheimer não deixe de consultar: 

Alzheimer’s Disease International (ADI) 

Associação Alzheimer Portugal