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Conferência: Inovação na Longevidade

11/02/2020 | Sofia Alçada

A introdução esteve a cargo de Carlos Moedas, em representação da Gulbenkian, onde referiu o caracter multidimensional do envelhecimento, em que cada vez mais o que interessa é efetivamente a qualidade desse envelhecimento nas suas várias dimensões. “Em Portugal, apesar de termos uma elevada esperança de vida, a qualidade de vida aos 65 anos é das mais baixas, sendo de apenas 8 anos para os homens e de 7 para as mulheres, enquanto a Europa tem uma média de 12 anos, quando falamos da esperança de vida com saúde”.

Como vamos viver os 10 ou 12 anos adicionais, é o desafio que a Gulbenkian se propõe trabalhar em conjunto com a delegação do Reino Unido, promovendo 3 áreas:

- A saúde, envolvendo a comunidade nos vários projetos – Community based projects

- Suporte aos cuidadores, onde Portugal tem uma das maiores redes de cuidadores, embora informais.

- Combate a violência aos mais velhos, seja ela física, mental ou psicológica.

A Ministra do Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, referiu a importância de haver um maior respeito pela longevidade, mencionando que o tema está na agenda do Governo, através da definição dos 4 desafios estratégicos que incluem:

- As alterações climáticas

- A Sociedade digital

- As desigualdades

- O Desafio demográfico, onde se inclui o tema hoje em discussão.

São 3 as áreas referidas no que concerne ao envelhecimento: a demografia, a taxa de natalidade e as migrações.

Os 50 são os novos 40 e os 40 são os novos 30, conforme refere Mariana Vieira da Silva, o que significa que a nossa vida se reorganizou e a sociedade permite prolongar a nossa vida para décadas cada vez mais tardias.

Acerca da taxa de natalidade, foi referida a quebra de cerca de 19 mil nascimentos no período da crise, facto só comparável ao ano de 1988. Esta quebra, dado o seu caracter abrupto, poderá indicar não um problema estrutural, mas apenas conjuntural. A aposta do Governo passa assim por dar maior apoio a família, com medidas de suporte do lado da segurança ao emprego, por exemplo. A aposta nestas medidas é para que as pessoas possam ter efetivamente os filhos que querem, refere a Ministra.

Segundo o Ageing Report temos um aumento da população mais velha de 21% para 35%, colocando Portugal entre os países com maior subida da população com mais de 65 anos e mais de 80 anos sendo a menor, quando falamos da população com menos de 15 anos, o que coloca realmente uma grande pressão na necessidade de dar resposta por parte dos serviços públicos ao nível da segurança social, da formação ao longo da vida (e também depois da reforma) e do rendimento e da saúde. Portugal é um dos países onde a despesa com a saúde mais vai crescer mencionando o peso de 2,7% do PIB, 3 vezes mais do que nos países da União Europeia, refere a ministra. Orçamento que servirá para o combate a pobreza com aumento das pensões; estratégia de combate a solidão, articulando com os diversos setores - 3 sector, centros de saúde, segurança social e GNR, entre outros que funcionam em rede para um maior combate a solidão. Os cuidados domiciliários com o aumento do investimento nas unidades de cuidados móveis e nos cuidados de saúde primários para a deteção precoce das doenças cronicas.

São 149 as medidas que pretendem dar resposta ao desafio demográfico e que envolvem todos os ministérios, refere a Ministra no final da sua intervenção.

Muitos são os desafios de envelhecimento, tendo sido abordado ao longo de toda a manhã nos vários painéis que contaram com numerosos especialistas nas várias áreas de intervenção, como o Professor Pedro Pita Barros da Heath Economics da Nova SBE, Asghar Zaidi do Oxford Institute of Ageing Population, Patrick Bonnet, Diretor The National Innovation Centre for Ageing (Reino Unido), Julie Taylor, Especialista em Sociedades envelhecidas (Reino Unido) e Andreia Jorge, Representante da Direção Geral de Saúde (Portugal), Rodrigo Cunha, Coordenador do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento da Universidade de Coimbra (Portugal),  entre outros, fazendo perceber que este é realmente um fenómeno que não se reduz na dimensão financeira, e que poderá trazer, para além dos desafios para a sociedade, uma serie de novas oportunidades para o qual é importante olhar e estar preparado.