Saúde e Bem Estar | Música como terapia para Alzheimer e Parkinson

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Música como terapia para Alzheimer e Parkinson

17/08/2018 |

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Sabia que já na antiguidade os filósofos realizavam investigações sobre os efeitos da música no corpo e mente? Hipócrates utilizava-a no tratamento de perturbações espirituais, Platão em casos de angústias e fobias e Aristóteles em pessoas com emoções profundas e reprimidas. Tantos anos volvidos, a música é agora utilizada também - e com enorme sucesso - como terapia em pacientes com Alzheimer e Parkinson!

 

Muitos tipos de problemas têm sido combatidos com o auxílio da musicoterapia porque, além de ajudar na parte psicológica, este tipo de tratamento também tem efeitos positivos na disposição física e mental do paciente. Mas é nos casos de Alzheimer e Parkinson que os benefícios da música se podem tornar mais notórios, evitando que a demência impeça a pessoa de uma relação familiar prazerosa e de viver um envelhecimento ativo, saudável e feliz.

 

Por que é que a música dispõe bem? 

Claro que já sabe que ouvir música distrai e dispõe bem, mas pode não ter (ainda) uma explicação científica para isso. O que acontece é que quando ouve música, ativa muitas partes do seu cérebro:

  • O núcleo accumbens, a zona que liberta a dopamina química do bem-estar.
  • A amígdala, que está envolvida no processamento das emoções.
  • O córtex pré-frontal, que torna possível a tomada de decisão abstrata
  • E alguns hormônios como a oxitocina que é libertada aquando das interações com seus entes queridos, mas também quando canta ou toca em conjunto com outras pessoas.

 

Desta feita se percebe por que é que na última década se foram confirmando os benefícios da música como terapia em pacientes com Alzheimer e Parkinson…

 

Como se pode usar a música como terapia em pacientes com Alzheimer e Parkinson?

Em casos de Alzheimer e Parkinson, o terapeuta utiliza músicas que marcaram a época em que o paciente era jovem, obrigando-o a exercitar o cérebro e a estimular os sentidos. As músicas preferidas de uma pessoa ou as canções que estão associadas a momentos importantes da sua vida, podem desencadear uma lembrança da letra da música, do evento relacionado a até mesmo dos sentimentos e experiências vividas. Isso porque, como já dissemos, a música ativa fortemente as regiões do cérebro envolvidas na memória, desbloqueando as recordações, reativando lembranças. Para mais, a música também pode ressuscitar o sentimento de identidade do paciente com demência e ajudá-lo a voltar a relacionar-se com os seus familiares e amigos, através de memórias partilhadas. E isso ajuda-o a encetar um envelhecimento ativo, saudável e feliz.

 

A música como terapia em pacientes com Alzheimer e Parkinson é sempre bem-sucedida?

Nem sempre. O sucesso da musicoterapia depende de dois fatores fundamentais:

  • O que a equipa de terapeutas consegue descobrir em relação às preferências musicais de um paciente.
  • O interesse de um paciente pela música ao longo da vida. É claro que a musicoterapia não funciona apenas em pessoas que, grosso modo, adoram ou adoravam ouvir música, mas um paciente que nunca tenha apreciado música antes de lhe ser diagnosticada a doença provavelmente não vai começar agora.

 

Além de desbloquear memórias, a música como terapia em pacientes com Alzheimer e Parkinson tem outros benefícios?

Sim, há outros benefícios. Entre eles:

  • A música ajuda a reconhecer os sons de um instrumento e a diferenciar uma nota musical de outra.
  • Se incentivados a dançar durante a sessão, os pacientes acabam por ficar com vontade de voltar a dançar fora do consultório o que melhora o relacionamento com as outras pessoas.
  • Estudos médicos revelam ainda que pessoas com demência sujeitas a musicoterapia, acabam por precisar de menos medicamentos psicotrópicos para controlar seu comportamento, do que os pacientes que não ouvem música.

 

A música como terapia em pacientes com Alzheimer e Parkinson ajuda na recuperação de memórias, tão importantes para um envelhecimento ativo, saudável e feliz.