O que podemos aprender com um peixe-zebra? | Saúde e Bem Estar

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O que podemos aprender com um peixe-zebra?

11/07/2020 | Fernanda Cerqueira

A capacidade regenerativa do peixe-zebra (zebrafish). Foto: phys.org A capacidade regenerativa do peixe-zebra (zebrafish). Foto: phys.org

Uma lesão leva, normalmente, à cicatrização que é a resposta do nosso sistema de proteção a agentes infeciosos. Há uma recuperação estrutural, mas que pode não ser uma regeneração perfeita. Contudo, há animais que conseguem regenerar completamente órgãos e tecidos quando sofrem lesões.

A ciência observa com muita atenção estas diferenças e procura respostas, em laboratório, que permitam aperfeiçoar a capacidade regenerativa do ser humano.

 

'Se não houvesse regeneração não havia vida', Richard Goss

«Os seres vivos estão sujeitos a uma tal quantidade de agressões que se não tivessem nenhuma capacidade de regeneração rapidamente a vida desapareceria», explicou António Jacinto, professor na NOVA Medical School da Universidade NOVA de Lisboa e investigador do Centro de Estudos de Doenças Crónicas (CEDOC).

António Jacinto, que falava no dia 23 de junho, durante a conferência online ‘Longevidade: Regeneração’, explicou que «todos os organismos que existem estão entre estes dois extremos: uns com mais capacidade regenerativa, outros com menos capacidade regenerativa», sublinhando que em nenhum caso a regeneração é perfeita: «se a regeneração fosse perfeita não haveria morte. Mas, a morte existe e é uma característica da vida».

 

Salamandra, peixe-zebra e planárias… o que podemos aprender com eles?

Nas salamandras, um dos animais mais estudados na área da regeneração, a perda de uma pata resulta no crescimento de uma nova pata completamente funcional. Mais extraordinária é a capacidade de regeneração em algumas espécies de planárias (um tipo de verme). Se cortarmos uma destas planárias ao meio, as duas metades dão origem a duas novas planárias mais pequenas e com características de animais mais jovens.

O peixe-zebra a capacidade regenerativa é impressionante, contudo, mais limitada. No peixe-zebra é possível regenerar partes lesionadas da maioria dos órgãos, tais como as barbatanas ou o coração, contudo não é possível regenerar grandes partes do corpo, como, por exemplo, a totalidade da cabeça.

São exemplos que abrem um mundo de novas oportunidades não só na regeneração de órgãos e tecidos, mas também no retardamento de envelhecimento.

Durante a conferência, o professor António Jacinto explicou que os 'superpoderes'  de animais como a salamandra ou o peixe-zebra estão intimamente relacionados com as células estaminais e senescentes. «Os tecidos e órgãos que regeneram têm vários atributos especiais que se revelam durante o processo regenerativo». A primeira particularidade tem a ver com a «presença e atividade das células estaminais, que se podem transformar em todos os tipos de células necessárias para reconstruir os tecidos danificados». E a segunda particularidade é «a capacidade que os tecidos que regeneram têm para eliminar células senescentes».

Neste momento investigar a regeneração nos animais, aprendendo com a capacidade de outras espécies e compreendendo melhor os mecanismos que regulam este processo extraordinário é fundamental e permitirá num futuro, que se deseja próximo, desenvolver novas técnicas que contribuirão decisivamente para uma vida longeva.

'Ciclo Longevidade', uma iniciativa da Culturgest

A conferência online 'Longevidade: Regeneração’, decorreu no dia 23 de junho, e integra o 'Ciclo Longevidade', uma iniciativa da Culturgest, em parceria com a Fidelidade. Pode assistir à conferência completa no vídeo abaixo ou no Youtube da Culturgest.

Nesta conferência, além do professor António Jacinto, participaram também Alexandra Marques, uma das fundadoras do grupo de investigação 3B’s da Universidade do Minho, Lino Ferreira, investigador coordenador na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e o professor catedrático Joaquim Sampaio Cabral, diretor e fundador do Instituto de Bioengenharia e Biociências do Instituto Superior Técnico.

Foi possível ouvir ainda a opinião do professor Mário Barbosa, catedrático do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Não deixe de ler 'Ó tempo volta para trás’.